BRASIL, Mulher, Música, Livros, amigos, comida,pensamentos aleatórios...
Apresentei trabalho final de Antropologia da Religião, sobre a visão de mundo, o ethos, a cosmologia e os símbolos do hinduísmo. Interessante. Passei a madrugada em claro, porque, como o bom jeitinho brasileiro prega, deixei tudo pra última hora. Muito café, pouco travesseiro. Meu vizinho também tava estudando, em grupo, fazendo um barulho... Quase 03 da manhã. Fui levar um pouco do meu muito café pra ele. Fim de semestre e dureza, é pouco travesseiro pra todo mundo. E levar café os fez ver que algumas pessoas estudam em silêncio. Adoro ser uma boa vizinha.
Eu, estudando na mesa e ali, ao meu lado, esparramada no tapete, tava a Lúcia, vizinha, Querida Amiga. (- Não viaja, caçula! Já to roxa de saudade...). Ela poderia estar dormindo, aproveitando a chuva fora de hora dessa madrugada de verão, podia tá fazendo um ploc ou assistindo o DVD que temos que entregar amanhã, gozando a provisória liberdade de quem espera o resultado do vestibular. Mas não, ela tava ali no meu tapete, vendo revistas do mês passado, lixando a unha, disfarçando o bocejo, passando café pra mim (o meu é ruinzinho...) e, às vezes, me escutando discursar sobre castas, vacas sagradas e a poluída água pura do Rio Ganges. Ela sabe que eu detesto estudar sozinha. Sabia que eu tinha que terminar o trabalho. Me animou, incentivou, disse pra eu me acalmar, que eu tinha domínio do assunto, que eu já estava quase convertendo ela ao hinduísmo. Ela sabe que sozinha eu desanimaria. Ou cochilaria. Então ficou lá. Adoro ter uma boa vizinha.
Começou na sexta anterior ao Dias das Mães, todos os Queridos indo pra casa dos pais. " Boa viagem, tá? ","Liga quando chegar." e "Feliz Dia das Mães pra sua mãe, um beijo pra ela". Minha mãe nunca foi tão felicitada. Mandou beijo de volta pra todo mundo. Daí pegou. Hoje já é de costume dizer um "manda um beijo pra sua mãe quando falar com ela" toda vez que nos despedimos. E elas mandam de volta! Umas fofas. Só nos conhecem de "ouvir falar", mas sabem que, na faltam delas, cuidamos uns dos outros. É um pouco de saudade de casa misturado com alguma nostalgia. Lembra infância, tempo em que, ser amigo de alguém significava conhecer toda a família.
P.S.: Quando falar com sua mãe, manda um beijo meu pra ela.
Jessica Lauton, 20 anos. Falo muito e essa é uma das minha maiores e mais marcantes características. Universitária, moro sozinha porf enquanto, mas talvez eu vá rachar o aluguel com alguém. Curso Ciências Sociais, pela manhã, estagio em uma empresa a tarde e na biblioteca da universidade a noite, o que torna meus horários de estudar, comer e limpar a casa uma loucora. Tenho turma, os ""Queridos Amigos", às vezes nos entendesmos, às vezes não, mas nos amamos sempre. Entre eles estão minhas duas amigas-vizinhas maravilhosas.
Às vezes acho minha vida bem interessante. Às vezes não. Veremos.